Ao encontro dos leitores

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A Biblioteca Pública Regional conta com o número cada vez maior de utilizadores.

Dezenas de publicações chegam, mensalmente, à Biblioteca Pública Regional da Madeira (BPR), situada no Caminho Álamos. A instituição recebe todas as obras impressas ou publicadas em qualquer ponto do país.

A colecção enriquece-se pelo facto da BPR ser, desde 1982, uma das nove bibliotecas de Portugal beneficiárias do Depósito Legal, um serviço administrado pela Biblioteca Nacional que canaliza, para cada uma destas instituições, todas as obras impressas ou publicadas no país. O objectivo é reunir as publicações que constituem parte do património bibliográfico de Portugal, colocá-las ao dispor dos leitores e preservar os valores da língua e cultura portuguesas.

“O facto da biblioteca ser beneficiária do Depósito Legal é uma mais valia que permite oferecer ao utilizador o que mais nenhuma outra biblioteca regional consegue”, diz a directora da instituição Maria da Paz. A BPR possui 180 mil livros.

A palavra de ordem na Biblioteca Pública Regional é “organização”, conforme destaca, face ao volume de monografias e publicações periódicas que dão entrada. Longe dos olhares dos utilizadores, há todo um trabalho que implica a separação do acervo, que é enviado, consoante as áreas temáticas. Todos os exemplares são depois magnetizados, carimbados, registados e entregues aos gabinetes técnicos para serem catalogados, classificados , indexados e colocados nos respectivos lugares: salas de leitura e depósitos. Passam também a integrar a base de dados da BPR.

A biblioteca tem três salas de leitura: uma geral, destinada ao público jovem e adulto, uma de leitura infantil e outra para invisuais ou utilizadores com baixa visão. Dispõe de equipamento necessário para acesso à internet, permite efectuar trabalhos e a reconversão em braille.
 

O Fábio, que transitou para o 8º ano, é um dos utilizadores deste espaço. Diz que vai à biblioteca sempre que pode e tem algo a consultar na internet. Através do programa Supernova, ouve o que o que está definido no menu, navega pelas várias ligações. Para complementar, dispõe da linha braille, conforme explica o Fábio quando se pede para fazer uma demonstração. À terça-feira, a sala conta com o apoio de José Rocha, um técnico da Direcção Regional de Educação Especial e Reabilitação.

Conforme explica a directora, “uma das característica da BPR é ter um leque alargado de público, desde o infantil ao sénior. Se analisarmos as estatísticas verificámos que o maior número de utilizadores é universitário, com idades compreendidas entre 20 e 29 anos, devido à proximidade da Universidade. No mês de Junho, durante uma semana, tivemos em média 130 utilizadores por dia. Em Abril o total ascendeu a 2852. O número de leitores tem vindo a crescer”.

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A sala de leitura geral é o rosto da instituição”. Dispõe de computadores com acesso internet e às bases de dados da BPR. Faculta um atendimento personalizado, através de técnicos superiores que podem dar apoio numa consulta mais difícil.

Este ano, uma das prioridades foi colocar no atendimento os funcionários com mais capacidade e recursos, que estavam a trabalhar nos gabinetes”, salienta. Para além das vertentes ligadas ao estudo e investigação a BPR aposta também no lazer. Os utilizadores podem ver um filme ou ouvir música. Na sala infanto-juvenil o acesso aos livros é directo. Existem também computadores com ligação à internet e num espaço contíguo é possível visionar filmes e realizar actividades educativas, nomeadamente contar histórias. ”O serviço de dinamização cultural promove diversas iniciativas ao longo do ano e acolhe as escolas que solicitam”, informa a directora.

O número dos utilizadores que procuram este espaço está também a aumentar. “Na sala de leitura infantil criámos uma obrigatoriedade. Antes da criança consultar o computador tem que ler um pequena história. Às vezes aprendemos a gostar do que somos obrigados a conhecer… Não pode ficar unicamente ao seu critério…”, salienta.

A maior aposta – conforme refere – é no público entre os 13 e os 19 anos, que é o que se afasta mais dos livros. “Atendendo a que – segundo as regras da biblioteca – só podem utilizar o computador durante uma hora, criámos um local próprio, o espaço jovem’ com banda desenhada e outras publicações, no sentido de cativar para a leitura.”.

Apesar de alguma ‘resistência’, “há sempre quem aprenda a gostar dos livros. É isso que vale a pena”. Maria da Paz tem dúvidas quando se pergunta se hoje os jovens lêem mais ou menos que em outras gerações. Admite no entanto que “a maneira como lemos talvez seja diferente. Hoje, muitas vezes, não há tempo para a reflexão. A nossa sociedade matou o tempo e ler sem reflectir não tem valor. O que não é interiorizado não se torna consistente. O conhecimento é que faz progredir as sociedades e as que mais avançaram foram aquelas onde havia tempo para a reflexão”. Hoje, na sua perspectiva, o acesso ao livro é maior e o preço não justifica que não se leia. “Não é necessário comprar, podemos requisitá-lo. Fazemos empréstimos domiciliários, nomeadamente de obras em braille”, diz.

 Integrada no Catálogo Bibliográfico Nacional, a BPR participa também no empréstimo de obras entre as denominadas bibliotecas cooperantes. Pode solicitar, a qualquer uma delas, um livro requisitado pelo leitor que não exista no seu acervo. “O custo é suportado por nós, o que não acontece na maioria das outras bibliotecas do país”, acrescenta.

Maria da Paz é responsável pela Biblioteca Pública desde Dezembro de 2006. Integrou a Biblioteca de Documentação Contemporânea (BDC), antecessora da BPR, em 1995 e recorda um pouco da história instituição : “Quando comecei a trabalhar apercebi-me que tinha uma organização excelente, que existia rigor e exigência. Tudo funcionava, só faltava informatizar”.

Conforme explica, “a fundadora, Sara Portugal, tinha uma visão do funcionamento das bibliotecas muito à frente do seu tempo. Incentivou todos os funcionários a se aperfeiçoarem e a fazerem formação. A maior parte das técnicas superiores e especializadas em ciências documentais, que hoje integram a equipa, entraram, no máximo, com o 12º ano. Isto diz da excelência e do mérito de uma instituição. Hoje temos um grupo coeso, continuador desses valores”.

Biblioteca Pública Regional foi instituída oficialmente em 2003. Estava então sediada na Rua dos Ferreiros, no edifício da Direcção Regional dos Assuntos Culturais. Em 2005, instala-se num novo espaço, no Caminho dos Álamos, nº 35.

Maria da Paz evidencia o empenhamento, durante a mudança de instalações, da directora do Arquivo Regional da Madeira, Fátima Barros, que pela reforma da então directora da BDC, Elsa Sousa assumiu essas funções.

“O nosso mérito verifica-se sobretudo na forma como nos integramos uns com outros. Cada pessoa conta com a sua especificidade. Há um diálogo permanente e a informação corre dos dois lados. Isso é importante para que o trabalho de qualidade apareça. Por exemplo, as pessoas que trabalham no atendimento fazem o ‘feedback’ do que se passa e isso é extremamente útil para a avaliação e decisão.”.

Uma das mudanças foi a abertura aos sábados, das 9h30 às 15 horas. “Foi necessário reorganizar os horários, com uma flexibilidade que nos foi permitida pela tutela e conseguimos. Antes abríamos às 10 horas e actualmente abrimos às 9h30.

Do ponto de vista logístico, “a BPR tem tudo”, falta no entanto – conforme refere a directora – “recursos humanos, atendendo à sua dimensão. Só conseguimos produzir, como o fazemos, pelo gosto que a equipa e pela metodologia do trabalho”, conclui.

 Fonte: Dário de Notícias – Revista – 30/07/07

Uma bilblioteca a visitar. Para os nossos jovens residentes na Camacha e para o público em geral, porque não fazer um dia uma visita a Biblioteca Pública Regional, para enrequecer mais a vossa cultura e ficar a conhecer os potênciais serviços, que nos têm para oferecer?

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