Camacha e o Futebol

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Foi na freguesia da Camacha, no lugar da Achada o local onde se jogou em 1875, pela  primeira vez o futebol em terras de administração portuguesa. Tal facto deveu-se  a Harry Hinton,  jovem britânico residente na Madeira, mas estudante em Londres que introduziu o “Foot Ball”, na Madeira em 1815.

Na  Achada da Camacha na Quinta de seu pai que ele explicou aos seus amigos as regras do jogo, com uma bola que trouxe de Inglaterra. A partir dai  a novidade passou de boca em boca, e por toda a parte os rapazes jogavam futebol, de salientar de que tudo servia para servir de bola, dizem as pessoas mais idosas da freguesia da Camacha.

Segundo  testemunhos orais, o futebol ganha tal popularidade, que se desputavam grandes desafios na sua Quinta na Camacha. Hoje em dia podemos observar em pleno centro da Achada um pequeno monumento alusivo a essa efeméride.

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  1. Esperança e Mocidade
    Há 50 anos quando deixei a Camacha para vir para o Brasil, a Achada da Camacha era um campo de areão, cercado pelo casario. Tinha a casa do Professor Nóbrega que foi professor da minha mãe e meu professor. Tinha a venda do Sr. Guilherme que enchia aos domingos na hora em era distribuída a mala. Tinha a venda do Senhor Regedor que fazia o registro de nascimento de todos nós Camacheiros. Tinha a escola das Irmãs, reconhecida pela rigidez. E para os ingleses, tinha o Café Relógio no meio dos carvalhos. Voltei lá como turista em 89.
    Mas a alegria mesmo, naquela época, era o jogo de bola no campo da Achada. Quem jogou e quem viu esses jogos no campo da Achada sabe que eles eram dignos de serem feitos num Maracanã lotado.
    A propósito, gostaria de contribuir para a história do Esperança e do Mocidade, os dois clubes de jogo de bola da Camacha do fim do século XIX. A minha mãe, Rosarinha do Pedro da Mota, que nasceu em 1922, contou-me na década de 1950, quando eu era criança, que uma equipa era da Achadinha – estou a esquecer-me se era o Esperança – a outra era dos Casais de Além, e a minha mãe falou-me que havia muito entusiasmo e rivalidade, e curiosa acrescentou:
    – Quem sabe esses jogadores não embarcaram todos, e, dos que ficaram na Camacha, pode ser que algum filho ou neto deles saiba deles e da história desses jogos.
    A minha mãe deixou-me viva e clara a existência dessas equipas e, no meu entusiasmo, eu queria ter visto essas equipas a jogar.
    Minha mãe sabia muito bem dessas equipas porque na década de 1930 Rosarinha dividia o tempo em casa com a avó Ludovina de Sousa e com o balcão da mercearia do meu avô Pedro da Mota, a Brisa Lusitana, junto com Airinhos, Josezinho e Eduardinho, meus queridos tios. Era a venda do avô Pedro da Mota. Rosarinha gostava de conversar com todos os fregueses. A pedido se punha a ler e responder a carta dos embarcados, e lá conhecia toda a gente da Camacha e conhecia a história de muitas famílias e as histórias do lugar.
    Os anos passaram. Nos idos de 1980, aqui no Brasil, numa dessas tardes habituais em que eu com a minha esposa visitávamos a minha mãe, junto com os meus filhos brasileiros, o Alexandre e o César, ela voltou a me falar:
    – Os que jogavam bola no Esperança e no Mocidade eram os antigos, já não eram os fregueses da mercearia na década 1930.
    No meu entender, a expressão “os antigos” referia-se aos avós da geração daquela época de 1930. Nunca mais se falou disso. Agora que eu sou “antigo” deixo aqui o meu registro. Talvez nem todos os bisnetos daquela geração já esqueceram as histórias…
    A minha imaginação de criança desenhou os jogadores da Achadinha a descer pelo caminho que separa os dois sítios. Vinham apressados a rir e a conversar e um, desembaraçado, com a bola na mão. Esses heróis imaginários da minha infância ficaram na minha memória. Disso não se esquece nunca. Eu até perguntei à minha mãe qual era a cor das camisolas do Esperança e do Mocidade. Ela não sabia. Mas eu, na minha imaginação, pintei a camisola da Achadinha com faixas de preto e amarelo. Era o meu time, porque a minha mãe era da Achadinha.
    A minha memória tem registrada, desde a infância, a imaginação que eu criei desses jogadores a caminho da Achada para o jogo Esperança x Mocidade. Não percam.
    Eduardo de Sousa Soares – emigrante no Brasil
    Filho de Rosarinha de Pedro da Mota (da Camacha) e de José do China das Amoreiras (do Caniço)

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